| Todas as coisas visíveis e invisíveis necessitam de algum tipo de energia para serem movimentadas. Após a revolução industrial, a força motriz das organizações foi constituída pelo capital, ter o capital era possuir o poder de movimentar as coisas. Posteriormente, com o aumento do mercado consumidor de produtos manufaturados, essa força passou para máquinas e equipamentos, a famosa tecnologia e nos últimos anos presenciamos uma nova tendência direcional, voltada para as pessoas, únicas com capacidade de decisão.
Passou-se a entender que o investimento é necessário, juntamente com a melhor e a mais rápida tecnologia existente, administrados pelas pessoas mais competentes. Visão perfeita, porém, os resultados para muitas empresas não têm sido o esperado. O que está acontecendo? Onde estão as falhas?
Se temos o capital, temos a tecnologia, supomos ter as melhores pessoas, e temos até ISSO. Por que, então, nos distanciamos de muitos objetivos estabelecidos? Por que não conseguimos melhorar o ambiente de trabalho, as relações hierárquicas, a comunicação e a competição saudável? Por que não conseguimos aumentar a produtividade, os mercados consumidores, a satisfação dos clientes? Por que não conseguimos diminuir as reclamações internas, os impasses, os conflitos, o desperdício e por ai afora?
Ter o capital é o “start” do negócio, tecnologia é o “instrumento” da realização do negócio e as pessoas são teoricamente as “condutoras” do sucesso do negócio. Entretanto, as pessoas precisam ser lideradas, orientadas, motivadas, desafiadas, desenvolvidas, valorizadas. Quando isso não acontece, a organização pode ter os melhores talentos, os QI’s mais desenvolvidos, os mais habilidosos operadores, mas não vai conseguir atingir suas metas, conforme supracitado.
A liderança é a maior força dentro de qualquer sistema e recorro à história, como nossa colaboradora, reportando-me a Jesus Cristo, considerado o maior líder de todos os tempos. Ele liderou 12 homens, por mais ou menos três anos e meio e eles revolucionaram o mundo com uma mensagem que ecoa até nossos dias. Psicólogos, filósofos, administradores estão descobrindo uma fonte inesgotável de recursos no estudo de sua forma de liderar. Os Evangelhos passam a ser literatura obrigatória para quem quer ser um líder bem-sucedido.
O sucesso de uma organização certamente passa pelas mãos, isto é, pelo comportamento dos líderes, sejam eles hierárquicos, investidos de autoridade, ou líderes vocacionados, que mesmo sem reconhecimento oficial, influenciam outras pessoas a cumprirem determinados objetivos que se alinham com os da organização (liderança informal).
Em contrapartida, há muitas empresas em que os colaboradores sentem-se como que estando em um barco sem leme e sem direção; em outras, a multiplicidade de vozes de comando é tanta, que ninguém mais sabe quem é o líder, e para não deixar de falar daquelas, em que a transferência de responsabilidade é sua marca principal, ninguém vê nada, sabe nada e não assume nada, principalmente “problemas”.
Precisamos acordar, despertar para uma nova realidade urgente dentro de nossas empresas. A arte de liderar precisa ser trabalhada de forma mais profunda, mais contundente, não apenas com ministração de cursinhos esporádicos, que enchem a cabeça de teoria, mas não provoca mudança de visão e muito menos de comportamento. É preciso instrução contínua, acompanhamento, avaliação. É necessária uma atuação permanente do profissional de RH nesse quesito.
A primeira atitude para esse “insight”, é a conscientização de que todos nós devemos e podemos melhorar. Segundo, que temos a maior força em nossas mãos, o poder de influenciar. Terceiro, que existem pessoas ocupando posições privilegiadas em pequenas e grandes empresas com muitos recursos e isso não pode ser desperdiçado. Pode ser feito muito, pode ser feito mais. Pode-se aproveitar melhor os talentos que estão à nossa frente, ao nosso lado ou escondidos em algum canto da organização.
Uma atitude importante na arte de liderar chama-se “crença”. Acreditar na potencialidade do ser humano é atitude fundamental do líder, acreditar nas possibilidades de mudança de comportamento, acreditar no poder de superação do mais fraco, acreditar que o homem é realmente motivado por necessidades (Maslow acertou em cheio) e dentre elas está a necessidade de ser aceito, compreendido e valorizado dentro do grupo social. As pessoas não podem ser tratadas como copos descartáveis.
As atividades de um líder ultrapassam os deveres convencionais porque ele lida com gente, gente que chora, que angustia, que deprime, que briga, que foge, que tem medo, gente que não se programa como uma máquina, mas que devido à sua complexidade exige ser entendida.
A essência do homem é a mesma desde sua criação, mudam-se os cenários, mas os personagens continuam os mesmos. Cabe ao líder entender um pouco da natureza humana e do importante papel que exerce no sistema organizacional. Feito isso, ele terá diante de si, uma equipe preparada para qualquer desafio. Não existem barreiras que não possam ser movidas pela força que há na liderança. |